sexta-feira, abril 22, 2011

SERMÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Aquela flor, a que o giro do Sol deu o nome,
chamada dos gregos heliotrópio, imóvel, e com
perpétuo movimento, jamais deixa de seguir e
acompanhar a seu amado planeta. Quando o Sol
nasce, se lhe inclina e o saúda, quando sobe, se
levanta com ele, quando está no zénite, o contempla
direito, quando desce se torna a dobrar, e
quando finalmente chega ao ocaso, com nova e
profunda inclinação se despede dele. Grande
milagre da natureza! Grande fineza de amor!
Mas onde está o mais fino desta fineza? Descobriu
e ponderou-o Plínio com uma reflexão tão
admirável como a da mesma flor: Heliotropii
miraculum saepius diximus cum sole se circumagentis
etiam nubilo die. Tantus sideris amor est.
Maravilha é, e fineza prodigiosa, que aquela
flor amante do Sol, sem se poder mover de um
lugar, o sigam sempre em roda, acompanhando
seu curso; mas o mais maravilhoso desta maravilha,
e o mais fino desta fineza (diz Plínio) é que
não só segue e acompanha o Sol, quando se lho
mostra claro e resplandecente, senão quando se
esconde e se cobre de nuvens: Etiam nubilo die:
Tantus sideris amor est.

Padre António Vieira

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