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quarta-feira, dezembro 16, 2009

DEGELO DA CALOTA POLAR DA GRONELÂNDIA ESTÁ A ACELERAR DRAMATICAMENTE

AFP, 14 de Dezembro de 2009, Público
A calota glaciar da Gronelândia, o maior reservatório de água doce do Hemisfério Norte, tem vindo a derreter a um ritmo alarmante nos últimos anos, alerta hoje um relatório do Conselho Árctico.
Este relatório é uma compilação dos resultados científicos recentes sobre a calota glaciar e foi debatido este domingo pelos cientistas na conferência climática de Copenhaga. O documento foi apresentado hoje à margem da conferência.Trata-se de um verdadeiro “grito de alarme” relativo a esta região que “aquece duas vezes mais depressa do que o resto do planeta”, lembrou Dorthe Dahl-Jensen, principal autora do documento “A Calota Glaciar da Gronelândia num clima em mudança”. “É muito surpreendente e preocupante ver tanto gelo a desaparecer” no mar a um ritmo tão acelerado: o volume passou de uma média de 50 mil milhões de gigatoneladas anuais entre 1995 e 2000 para 160 mil milhões anuais de 2003 a 2006.Um degelo assim representa “o fornecimento de 64 litros de água por dia a todos os habitantes da Terra durante um ano”, indica esta professora do instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhaga.A calota glaciar, mais de 80 por cento da Gronelândia, está em equilíbrio há décadas, recebendo tanta neve que se transforma em gelo quanto aquela que perde. Mas uma monitorização recente mostra uma alteração significativa. O glaciar de Jakobshavn Isbrea, em Ilulissat recuou 15 quilómetros nos últimos oito anos, lançando cada vez mais icebergs para o fiorde de Ilulissat.O degelo da calota glaciar contribuirá, segundo a maioria dos modelos actuais, para aumentar entre cinco a dez centímetros o nível dos mares do planeta em 2100, sublinhou Dahl-Jensen.As alterações climáticas têm consequências directas no modo de subsistência dos Inuits, especialmente na caça e na pesca e sobretudo nas aldeias mais isoladas, salientou Minik Rosing, co-autor do relatório. Mas também oferecem novas possibilidades de exploração mineira, no sector dos transportes marítimos e na produção energética (petróleo e gás) na Gronelândia e nas suas águas.Para o norte-americano Robert Corell, director do programa sobre alterações climáticas no Centro Heinz em Washington, o aquecimento global é visível a olho nu na Gronelândia. O degelo dos glaciares “está a acelerar dramaticamente. É trágico” porque o aquecimento global tem “um impacto” na sociedade da Gronelândia e no resto do mundo.Corell pediu aos dirigentes dos 193 países que participam na conferência de Copenhaga que cheguem a um acordo “sólido” para travar o processo de aquecimento.

domingo, novembro 15, 2009

VINTE ICEBERGUES DA ANTÁRCTIDA A CAMINHO DA NOVA ZELÂNDIA

13.11.2009 Helena Geraldes, Público
Os cientistas da pequena ilha Macquarie estão com os olhos postos no oceano Pacífico. Pelo menos 20 icebergues, com extensões entre os 50 metros e os dois quilómetros, dirigem-se do Norte da Antárctida para a Nova Zelândia.
Há uma semana, os cientistas do programa polar australiano nem queriam acreditar no que viam, quando um bloco de gelo foi avistado a oito quilómetros da ilha. Tinha 50 metros de altura e 500 de comprimento.Dean Miller, biólogo australiano do programa polar, foi o primeiro a avistar o icebergue. "Nunca tinha visto nada igual. Olhei para o horizonte e vi uma enorme ilha de gelo a fluturar", contou ao jornal "The Guardian".Desde então, mais icebergues têm-se aproximado da ilha, flutuando ao sabor das correntes. Nas últimas 24 horas foram avistados pelo menos quatro, com extensões entre os 50 metros e os dois quilómetros.O glaciologista daquele programa, Neal Young, afirma que existem pelo menos 20 icebergues em redor da ilha. É raro que estes blocos de gelo subam tanto para Norte e entrem em águas menos frias, salienta. "Das imagens de satélite podemos observar um grupo de icebergues, abrangendo uma área com cerca de mil por 700 quilómetros, distanciando-se da Antárctida com a corrente oceânica", lê-se num comunicado. O especialista acredita que estes icebergues são fragmentos recentes de um enorme bloco que se separou há nove anos da plataforma de gelo Ross.O responsável pela estação na ilha, Cyril Munro, diz que esta tem sido uma semana excitante para os cientistas. "Todos têm os olhos postos no horizonte". Os cientistas que trabalham na ponta mais a Sul da ilha "ficaram espantados por verem aqui um icebergue com dois quilómetros", acrescentou. Os blocos de gelo deverão continuar para Norte e Este, em direcção à Nova Zelândia.Gelos na Gronelândia também trazem novidadesIcebergues a caminho da Nova Zelândia são um cenário que poderá dar novos argumentos para as negociações climáticas na cimeira de Copenhaga, em Dezembro. Mas a verdade é que a Antárctida não tem a exclusividade nestas questões. Ontem, a revista "Science" revela que o gelo da Gronelândia está a desaparecer mais depressa do que nunca. De 2006 a 2008, Verões mais quentes do que o costume elevaram o degelo a um ritmo sem precedentes, com uma perda anual de 273 quilómetros cúbicos, concluiu a investigação, que recorreu a imagens de satélite e a um modelo atmosférico regional.A camada de gelo da Gronelândia contém água suficiente para causar uma subida média do nível do mar de sete metros, afirma aquela universidade. Desde 2000, a camada de gelo perdeu cerca de 1500 quilómetros cúbicos, o que representa uma subida de cinco milímetros."A perda de massa na Gronelândia tem vindo a acelerar desde o final da década de 90 e as causas do fenómeno sugerem que esta seja uma tendência para continuar num futuro próximo", lê-se num comunicado assinado por Jonathan Bamber, um investigador da Universidade de Bristol que participou no estudo.Segundo os investigadores (das universidades de Utrecht, Delf e Bristol; do Instituto de Investigação Marinha e Atmosférica; do Real Instituto de Meteorologia da Holanda; e o Jet Propulsion Laboratory), esta perda de massa gelada explica-se com o aumento do degelo à superfície e com o facto de os glaciares estarem a dirigir-se mais rapidamente para o oceano.Até 2100, o nível médio do mar deverá subir entre 28 e 43 centímetros, estima o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.

terça-feira, setembro 08, 2009

GASES COM EFEITO DE ESTUFA SUSPENDEM CICLO NATURAL DE ARREFECIMENTO DO ÁRCTICO

do « Público» 04.09.2009 Helena Geraldes
Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.
A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século. Apesar de a distância Sol-Terra se ter mantido durante o século XX, as temperaturas começaram a subir em 1900. Cinquenta anos depois, o Árctico era 0,7 graus Célsius mais quente. Até que a década de 1999 a 2008 registou as mais altas temperaturas dos últimos dois mil anos. Hoje, as temperaturas são 1,2 graus Célsius mais elevadas do que em 1900. Aos olhos de Darrell Kaufman, da Universidade do Arizona e coordenador do estudo, esta incongruência demonstra que os humanos estão a alterar o clima. “Se não fosse pelo aumento dos gases com efeito de estufa, as temperaturas de Verão no Árctico deveriam ter baixado, gradualmente, ao longo do século XX”, acrescentou Bette Otto-Bliesner, cientista do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica, dos Estados Unidos, que participou no estudo.“A quantidade de energia que recebemos do Sol no século XX continuou a diminuir. Mas a temperatura registou o maior aumento dos últimos dois mil anos”, independentemente das alterações naturais da órbita da Terra, salientou ainda Nicholas P. McKay, da Universidade do Arizona (Tucson) e membro da equipa. O que já se sabia era que nas últimas décadas, o Árctico aqueceu duas a três vezes mais do que o resto do planeta. Tudo porque a região polar amplifica as alterações climáticas. Quando há menos superfície de neve e gelo para reflectir a energia solar de volta ao espaço, o solo escuro e o oceano que ficam a descoberto absorvem mais energia e aquecem mais.“Porque sabemos que os fenómenos responsáveis pela ampliação (das alterações climáticas) no Árctico continuam a operar, podemos antever que a tendência se vai manter no próximo século”, estimou Gifford Miller, da Universidade do Colorado e membro da equipa.