segunda-feira, junho 22, 2009

FOGOS FLORESTAIS

-- A nossa superfície florestal aumentou imenso durante o séc. XX. Mas o que temos é floresta? Ou é sobretudo plantações monoespecíficas, monoculturas industriais de pinheiro e eucalipto?

-- O abandono da agricultura favoreceu o despovoamento territorial e este a extensão indefinida das matas de resinosas, agora sem as áreas agrícolas que «cortavam» a sua extensão e permitiam a permanência de pessoas que garantiam a exploração e vigilância das matas:

-- Os fogos têm origens humanas quase sempre…criminosas ou negligentes.

-- Temos a maior extensão de resinosas do sul da Europa, e quer o despovoamento do interior quer o aquecimento global desaconselham isso, até porque os fogos se vão encarregando de destruir esses povoamentos intensivos. Por isso, no recente Inventário florestal, notava-se o declínio rápido do pinheiro bravo, que pela primeira vez deixou de ser a principal espécie florestal portuguesa—a favor do sobreiro, que manteve a sua quota porque resiste bem melhor aos fogos.

-- A floresta de que precisamos deve ser mais variada e diversificada e adaptadas ao clima em mudança e ás características ecológicas de cada região. Deve ser de uso múltiplo e não destinada a um único fim— tipo celulose ou madeira. Pode ser um factor de melhoramento da paisagem, dos solos, incrementar assim o turismo, ser factor de biodiversidade e permitir vários usos económicos directos. O ideal será a convivência com uma agricultura extensiva geradora de produtos de alta qualidade induzindo algum repovoamento do mundo rural. A floresta deve ser parte de um ordenamento rural.

-- Uma floresta equilibrada favorece o necessário renascimento do mundo rural, coisa que hoje não acontece.

-- A prevenção de ser prioridade. E aí se inclui o ordenamento florestal, o associativismo de proprietários, a redução das plantações monoespecíficas e o favorecimento das espécies autóctones.(estas resistem melhor ao fogo: dados do ano passado revelam que a área atingida foi sobretudo de pinheiro bravo (40%) e eucalipto (38%)

-- Conjugado com isto— a vigilância, diurna e nocturna das matas.(grande parte dos fogos começa…altas horas da noite!) A penalização das queimadas e a investigação dos fogos postos. Presença humana no terreno, permanente.

As áreas mais sensíveis em época crítica (altas temperaturas, escassa humidade) deveriam ser interditas à circulação e estadia de pessoas visitantes, como acontece por toda a Europa.
O combate aos fogos deve basear-se na detecção dos fogos nascentes, que podem ser extintos na origem, aconselhando a existência de brigadas operacionais móveis no terreno.
-- Deve ser penalizado o abandono das matas.
--Neste aspecto, a fiscalização tem aumentado, mas dados recentes informam que os municípios não têm feito o esforço necessário, quer no ordenamento, quer na prevenção de fogos e ainda na fiscalização do abandono e não tratamento das matas. (é a própria Associação N. dos Municípios que o diz).

Por outro lado a ideia feita da «limpeza das matas» levada ao exagero pode levar à destruição do sub-bosque e de espécies arbustivas e florísticas raras, que aliás contribuem para a estabilidade dos solos e para a saúde das árvores.

O «fogo sociológico» é um facto que importa conhecer melhor: dados da PJ confirmam que as causas de fogo posto criminoso abrangem os conflitos de caça (mto importante e pouco investigado) interesses económicos diversos, vinganças pessoais e conflitos entre vizinhos.
Bernardino Guimarães




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