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2) Por cá as lamentáveis incidências do Estio, ajudado pela proverbial inconsciência: fogos florestais que este ano já ultrapassaram, em superfície queimada, o ano anterior. Mais que do dispositivo montado, que não foi ainda testado em catástrofes como as de 2003, tudo depende da meteorologia. Em volta do Grande Porto, a devastação foi já grande. E grande é o desordenamento das matas e a desarrumação do território, a proliferação de lixeiras e de queimadas imprevidentes. O pouco de verde que o betão não logrou alcançar, varre-o o incêndio.
3) Nos programas dos candidatos autárquicos ambiente, (energia, ordenamento do território), será prioridade? Nada o indica. Na Área Metropolitana do Porto precisa-se de uma alteração radical. Quem quer travar a expansão urbana insensata e apostar tudo na reabilitação do edificado? Quem mete ombros à tarefa de proteger os solos produtivos, os bosques e os cursos de água, a biodiversidade? Quem quer deixar de vez o modelo do cimento e das auto-estradas, dos hipermercados e do automóvel como base do consumo e da mobilidade? E quem aposta na eficiência energética a sério, na disseminação da energia solar e da microgeração, na humanização das cidades, passando pela reconstituição dos «corredores verdes» vitais para o suporte e qualidade de vida?
A mesma dúvida para o cenário nacional— depois de quatro anos e meio sem política ambiental digna desse nome, sem ministério que se visse e actuasse, com recuos de toda a ordem e impasses que pagaremos caro— não se vê que exista vontade de alterar esta situação, insustentável em todos os sentidos. O país que se orgulha de dispor de muita energia renovável, aposta todas as cartas nas auto-estradas; para produzir energia «limpa» condena-se a Natureza e a biodiversidade com enormes barragens nos locais errados; e o saldo das nossas emissões de gases de efeito de estufa continua pesado, mercê do desperdício de energia e de uma política arcaica que depende dos combustíveis fósseis e apenas favorece as grandes empresas de construção. A opinião pública já nem acha estranho que se esteja a construir uma terceira (!) auto-estrada Porto-Lisboa. E tudo, anestesiado, gira como se fosse lógico e racional.
Falta aqui, como dizia Cesariny, «uma grande razão.» E vontade de mudar um sistema que apodrece a olhos vistos!
4) Falemos da rola-brava. Desde o dia 15 de Agosto, os caçadores demandam, espingarda em riste, as últimas rolas-bravas, espécie que não devia sequer ser considerada cinegética, tal é o seu declínio. Mesmo no Grande Porto, em certos locais favoráveis, as rolas são alvo, sabendo-se que esta época é ainda de nidificação. Não resta mais do que apelar à consciência do governo— e dos caçadores! Para que o massacre cesse e não venha a ser o caso de lamentarmos, no futuro próximo, a extinção de uma ave que até há pouco…era «comum».
Bernardino Guimarães
(Crónica publicada no Jornal de Notícias, 18/8/09)
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