segunda-feira, outubro 19, 2009

GULBENKIAN ANTECIPA CIMEIRA DE COPENHAGA EM CONFERÊNCIA SOBRE AMBIENTE

13.10.2009, no Público
Pode haver prosperidade sem crescimento económico? Podemos ser mais felizes se consumirmos menos? Ou se vivermos de forma diferente? A urgência de reagir às alterações climáticas não estará a criar uma oportunidade para uma mudança global favorável a toda a humanidade?
Estes serão alguns dos temas da conferência “O ambiente na encruzilhada” que decorrerá a 27 e 28 de Outubro na Fundação Gulbenkian. Temas “interpelantes”, como os definiu Rui Vilar, presidente da instituição, temas que “apelam à inteligência e contrariam a preguiça”.Numa altura em que se aproxima a decisiva Cimeira de Copenhaga para as Alterações Climáticas, onde se tentará chegar a um protocolo que substitua o de Quioto, a conferência da Gulbenkian poderia centrar-se no tema que hoje concentra as atenções, mas a Fundação, que desde 2007 conta o Programa Gulbenkian Ambiente, sob a direcção de Viriato Soromenho-Marques, preferiu um modelo mais abrangente. "O sentimento de urgência que as questões ambientais colocam impõem uma intervenção serena e uma dimensão racional", explicou este responsável. Isto porque é necessário “encontrar vias de saída”, não apenas repetir diagnósticos.Organizada em três painéis – “O estado do ambiente e as duas dimensões sociais”, “O estado do ambiente e as dimensões económicas” e “Governança para a sustentabilidade” – e quatro conferências principais, o encontro permitirá reunir especialistas como David King, ex-conselheiro científicos dos governos de Tony Blair e Gordan Brown, Gilles Lipovetsky, filósofo que falará sobre a felicidade no tempo do hiperconsumo, Julie Packard, directora do Oceanário de Monterey e uma das grandes especialistas mundiais em oceanos, e Jonathon Porritt, do Forum for the Future, uma das vozes mais iconoclastas do ambientalismo britânico. No encontro que ontem teve com vários jornalistas, o presidente da Fundação, Rui Vilar, referiu o seu desejo de, com esta e outras iniciativas, quebrar o tabu que rodeia a procura individual da felicidade. “Por pudor nunca falamos de se somos felizes”, referiu, mas um futuro sustentável também passará por olhar para vida para além dos índices económicos com que habitualmente se mede a “riqueza” de cada país. “Nas nossas diferentes áreas vamos querer reflectir sobre a felicidade de uma forma séria”, acrescentou. O que, na área do ambiente, passa por discutir a arte de viver ou pensar que mais crescimento e mais riqueza nem sempre se traduzem em mais prosperidade

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