sexta-feira, dezembro 11, 2009

MAIS DE CEM NAÇÕES QUEREM METAS CLIMÁTICAS MAIS AMBICIOSAS

10.12.2009 PÚBLICO, Agências
Mais de metade dos países presentes na conferência de Copenhaga – especialmente as nações mais pequenas - querem metas climáticas mais ambiciosas do que as defendidas pelas nações ricas.
Dessima Williams, líder da Aliança dos 43 Estados Insulares (AOSIS), declarou que mais de cem nações já pediram que o aumento da temperatura média do planeta seja limitado aos 1,5 graus Célsius, em relação aos níveis pré-industriais. Os países mais ricos entendem ser seguro um aumento que pode ir mais longe, até aos 2 graus. Mas para as pequenas nações, este limite pode causar o seu desaparecimento do mapa, devido à subida do nível das águas do mar.“Metade das Nações Unidas está a pedir metas mais específicas e ambiciosas”, disse Williams, de Grenada, numa conferência de imprensa na conferência de Copenhaga. Entre os defensores dos 1,5 graus estão os países menos desenvolvidos, a maioria deles em África, e os pequenos Estados insulares. Mas para conseguir cumprir este valor seria necessário que os países desenvolvidos reduzissem as emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 45 por cento até 2020, a níveis de 1990. E isso parece ser algo difícil de alcançar. Os valores apresentados até agora rondam os 20 por cento.Seja como for, qualquer acordo em Copenhaga terá de ser aceite por unanimidade. “Vivemos na linha da frente” no campo de batalha contra as alterações climáticas, disse Williams. Talvez por isso os países da AOSIS insistam tanto num acordo vinculativo no final de Copenhaga em vez de uma mera declaração política. “Uma boa declaração política em Copenhaga sem um carácter vinculativo é como um tubarão sem dentes”, comentou Barry Coates, porta-voz da organização Oxfam.Actualmente, as temperaturas do planeta já subiram 0,7 graus e tudo indica que continuem a aumentar. Mesmo assim, muitas ilhas já sofrem “danos significativos, algumas estão a ficar submersas, outras estar a perder as suas reservas de água potável”, alertou Williams. António Lima, da Cabo Verde, e vice-presidente da AOSIS, afirmou que as alterações climáticas são um desastre para os pobres, semelhante à erupção vulcânica do Monte Vesúvio que, há 2000 anos, enterrou a cidade romana de Pompeia. “Eles não sabiam o que estavam a enfrentar. Hoje sabemos o que vai acontecer. Vai ser o planeta Pompeia.»

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