Agora que começa o novo ano— tão cheio de interrogações— talvez seja útil fixar algumas ideias sobre o que poderia melhorar as coisas à nossa volta, na nossa cidade, no país. Não pode haver democracia sem exigência. Que é outra forma de dizer responsabilidade. A situação dramática de crise, apela ainda com mais força a mudanças essenciais nas atitudes, na forma como concebemos as relações sociais e o nosso papel individual na sociedade. Sabemos que existem, para o cidadão, direitos e deveres. Momentos há em que se acentuam os direitos, quando os vemos ameaçados ou ignorados, outros momentos trazem à tona a necessidade de não esquecermos os deveres. A nossa vida em comum não pode dispensar a luta pelos direitos nem a consciência dos deveres, apesar da famigerada crise de valores e de um certo relativismo que nos anestesia e confunde.
Faz impressão o modo passivo como encaramos o poder (afinal de contas emanação da nossa vontade) e como somos condescendentes com os erros, as mentiras e a incompetência de quem governa. E isto desde o nível local até ao nacional. Claro que os hábitos são o que são, e substitui-se a crítica firme e atempada, frontal e desempoeirada pela maledicência surda dos cafés e do anonimato, pela banalidade do «eles são todos iguais» ou «lá se vão governando». A desconfiança e o veneno da calúnia fácil não resolve nenhum problema, a não ser o da falta de civismo e de responsabilidade que se auto-justifica num genérico e inconsequente ódio aos «que mandam» --como se não fossemos todo responsáveis de algum modo!
Quando os autarcas que elegemos não cumprem as suas promessas, quando se revelam incapazes de garantir a qualidade de vida mínima a que temos direito, raras são as vozes que assinalam a incoerência. Se milhões de euros são gastos na despoluição de um rio e, volvidos anos, nada acontece e o mesmo rio continua sujo e impraticável, poucos se ouvem protestando e…exigindo explicações.
As políticas urbanas, o estado das ruas, a falta de espaços verdes, a má qualidade do ar, a descaracterização das cidades, o favorecimento descarado de grupos económicos e a promiscuidade letal entre política e negócios, a má qualidade de serviços públicos essenciais, são factores de degradação da vida pública que merecem atenção. Estranho é que entre nós, não é costume que os poderes se expliquem e pratiquem transparência nos actos e decisões, nem (o que talvez justifique a despreocupação dos eleitos) isso parece mover a indignação da maioria. Resignação? A falta de civismo e de rigor dominante na sociedade tem duas faces, a da arrogância dos que dirigem e a passividade e conformismo dos dirigidos.
Para o novo ano, precisa-se de um outro sentido de exigência, que em alturas de crise (tanto se fala em rigor e em responsabilidade!) ainda é mais necessária.
A nossa cultura é a do poder que se justifica apenas com a sua própria existência e se legitima com a sua habilidade em perpetuar-se. A maior virtude para um político em funções é «durar», contando com o descaso do cidadão comum, que se limita à raiva impotente da censura e da suspeita geral que, na esfera privada, lança sobre todos os «manda-chuva». Cinismo a mais, civismo a menos!
Triste situação! Como podemos ter melhor democracia, melhor economia, melhor ambiente se não seguimos com atenção o que se passa à nossa volta? Por cá, ninguém é responsável por nada, os erros— mesmo que arruínem o país ou destruam o património que é de todos— nunca têm nome ou nomes, tudo é difuso, escondido, pouco claro.
A exigência, connosco próprios e com os outros, com aqueles a quem confiámos o nosso voto, é uma das peças que faltam para sermos um país que possa olhar-se sem vergonha e com alguma confiança.
Bernardino Guimarães
( Crónica publicada no Jornal de Notícias em 4/1/2011)
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quinta-feira, janeiro 06, 2011
terça-feira, novembro 10, 2009
SITE EUROPEU INFORMA SOBRE EMISSÕES INDUSTRIAIS
09.11.2009LusaA Comissão Europeia lançou hoje um endereço na Internet que permite que qualquer cidadão europeu saiba que substâncias poluentes são emitidas por indústrias instaladas na sua região.
O sítio http://prtr.ec.europa.eu/, lançado com a Agência Europeia para o Ambiente, abarca mais de 24 mil instalações industriais de 65 sectores de produção e inclui 91 substâncias.
Para já, estão disponíveis dados relativos a 2007, mas a informação será actualizada anualmente, em Abril.
O site tem informação sobre emissões de poluentes no ar, solo e água.
Por exemplo, na região de Lisboa o principal poluente emitido em 2007 foi o gás metano (CH4), que provém de aterros sanitários - Setúbal (668 t) e Mato da Cruz (2.010 t) - e centros de tratamento de resíduos sólidos - Trajouce (3.140 t), Palmela (2.640 t) e Seixal (1.940 t), num total de 10.398 toneladas.
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