Mostrar mensagens com a etiqueta espécies extintas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta espécies extintas. Mostrar todas as mensagens

sábado, novembro 07, 2009

DIVERSIDADE

Zebra quagga, África ( extinta)
Todos os dias desaparecem espécies, animais e vegetais, extinguem-se formas de vida únicas,
irrepetíveis. Como não sentir que, sempre que isso acontece, alguma coisa se quebra, algum obscuro, invisível laço se rompe na cadeia de coisas e seres e presenças que sustenta o mundo? Esta angústia não é apenas de ordem científica. Reina na difusa dimensão dos sentimentos, das ideias e das vivências. A diversidade da vida faz parte da nossa cultura, da nossa respiração, tal como da nossa economia. Faz impressão saber que somos nós os culpados— os causadores, pelo menos, supondo que inconscientemente o fazemos— de um contínuo, vertiginoso, silencioso empobrecimento do mundo.
A vida perde muitas das suas criações e formas, adaptadas ao longo de incontáveis milénios, milagre cada uma delas, partes de um todo que nem conhecemos em toda a sua escala e que vemos estilhaçada nos nossos dias.
Ou então nem vemos, pois que tudo se passa a ritmo constante, sim, mas calado e discreto. Uma erosão lenta da diversidade das espécies e da diversidade genética nas espécies— dizem-nos os biólogos que assim se define biodiversidade, termo muito recente.
A coisa é grave: antes da era industrial, a perda de biodiversidade, de espécies, seria de 0,1 a 1 espécies/ano. Nos tempos que correm, volvidos menos de 200 anos, já a perda é calculada em mais de 100 espécies por ano.
Alguns cientistas opinam que esta cifra apenas nos dá uma pálida ideia da tragédia que ocorre, já que só conhecemos uma parte ínfima da herança biológica do planeta.
Tal como alterámos a composição da atmosfera, e com ela o clima, desestabilizámos os habitats e desfigurámos ecossistemas. O Homo sapiens sapiens vê-se como sendo, por direito e função, o transformador do mundo, sempre em laboração e ideação, sempre bulindo e mudando. Só agora, quando as coisas já visivelmente configuram uma crise ecológica impossível de disfarçar e anunciando horizontes desoladores, nos damos conta de que talvez estejamos a fazer mal o que fazemos. As gerações futuras pagarão o preço. Viverão num mundo mais pobre e exaurido.
Depois de tanto mudar o mundo à sua imagem (melhor, à imagem dos seus interesses imediatos) a Humanidade olha o mundo…e não o reconhece! Nos recônditos do coração dos homens, uma estranha nostalgia assoma, furtiva, dificilmente enunciada— e aparece a tristeza. Que vem talvez da constatação: no meio de tanta coisa conquistada, muito se perdeu, de essencial e indispensável, e o futuro ( que já não é o que era) tornou-se incerto.
Vejamos os factos quotidianos, habituais— abre-se a auto-estrada, inaugura-se a barragem; rios são desviados, matas e sebes vivas são arrasadas. Insectos, plantas, pequenos vertebrados, aves, uma multidão de criaturas vêem os seus habitats aniquilados. Numa operação tão banal, em nome do progresso, quantas espécies se perdem ou são fragilizadas em alto grau, quantos «corredores» ecológicos deixam de ser espaço para a circulação da fauna, das sementes, quanto do ciclo da água foi subvertido e com que consequências?
E que dizer dos pesticidas, herbicidas e outros tóxicos espalhados a esmo, com a ajuda do vento? E a erosão dos solos produtivos, indefesos após a destruição da flora que o recobre e alimenta?
O mundo fica mais pobre, sim, e mais perigoso.
Não é preciso ser cientista para dar conta do silêncio dos pássaros, da ausência dos insectos polinizadores, do desaparecimento de uma legião de plantas silvestres que já ninguém pode ver.
O fim do mundo para tantos pequenos mundos. E o nosso?
Bernardino Guimarães
(Crónica «Um Olhar Sobre a Cidade» na Antena 1, em 29/10/09)

quinta-feira, maio 07, 2009

GALERIA DE EXTINTOS CÉLEBRES

Tilacino, ou lobo-marsupial, ou tigre-da-Tasmânia. Não era tigre nem lobo, marsupial sim e vivia na Austrália. O último indivíduo conhecido morreu em 1936. Esta é uma das derradeiras fotografias.
O pombo-migrador era das aves mais abundantes da América do Norte à chegada dos colonos. Perseguida intensamente, extinguiu-se em 1896. O último pombo, uma fêmea a que chamaram Martha, morreu no Jardim Zoológico de Cincinatti.

O único urso de África foi o urso-do-Atlas, subspécie do urso-pardo.
Julga-se que está extinto desde 1870.

O lémure-gigante vivia em Madagáscar. conhecem-se poucos vestígios e sabe-se menos sobre a causa da extinção. Presume-se que as primeiras colonizações humanas na grande ilha terão sido determinantes para o seu desaparecimento. O arau-gigante parecia um grande pinguim e assim era conhecido. Embora não fosse parente dos verdadeiros pinguins. A sua captura pelos pescadores e outros habitantes da Islândia, seu lar ancestral, conduzou a uma extinção, em 1844, que foi também a única referente a uma ave europeia desde sempre.


Os primeiros habitantes humanos da Nova Zelândia devem ter admirado esta gigantesca ave que não voava, a moa-gigante. Admirado e caçado, está bem de ver. Pensa-se que a sua extinção terá ocorrido há cerca de 700 anos.



O dodó da Ilha Maurícia não voava nem se defendia dos agressores. A sua adaptação a um meio sem predadores assim formatou o carácter desta ave singular. «Morrer como um dodó»diziam os navegadores portugueses e holandeses que o exterminaram. Dodó parece ser uma degradação da palavra portuguesa « doido» ou « doudo». Mas não era. Foi vítima da ignorância e extinguiu-se no século XVIII. Sabe-se que era parente dos pombos, embora não pareça.


A tartaruga-gigante da Ilha Rodriguez tinha uma envergadura e morfologia que a distinguiam mesmo das outras espécies do mesmo género. Foi muito apreciada como peça de caça desde a descoberta da ilha. Extinta em 1802.

A Quagga era uma espécie de zebra, caracterizada por apresentar um zebrado mais escasso e apenas parcial, ao contrário das suas congéneres. Espécie muito abundante na África do Sul, pelo menos até à chegada dos colonos Boers, que a caçaram intensamente. Resultado:o último exemplar, em cativeiro, morreu em finais do século XIX.