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Por um acaso, comemora-se também, neste ano da graça de 2009, os 150 anos da publicação daquela que veio a ser a sua obra mais célebre e controversa, o livro «a Origem das Espécies Através da Selecção Natural», que em Novembro de 1859 foi dada à estampa, culminando muitos anos de estudo e observação dos fenómenos naturais e originando forte escândalo. Estavam postas em causa ideias estabelecidas desde sempre— e mesmo no mundo científico a aceitação das teses de Darwin esteve longe de ser pacífica.
Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809, na cidade inglesa de Sherewsbury. O seu nome evoca, para muitos, a ideia desagradável de o Homem ser «descendente do macaco» (coisa que Darwin nunca afirmou!) --ou pelo menos parente dos grandes símios— e foi essa imagem caricatural que os seus adversários usaram contra si. Acusado de rebaixar a humanidade, ao reduzi-la a uma descendência pouco elevada, o naturalista teve de enfrentar diversas campanhas de opinião pondo em causa as suas propostas. Existia, como dogma irrefutável, a ideia de que todas as criaturas tinham sido criadas de uma vez só, ou em levas sucessivas, e a noção de que as espécies vivas podiam descender de outras formas já extintas, transformando-se gradualmente em outras formas diversas, parecia definitivamente herética.
Mas, se de facto Darwin sustentava a chamada Teoria da Evolução— e por tal ficou conhecido até hoje— não foi esse o fulcro da sua proposta nem sequer essa ideia era original. A evolução das espécies era, nessa época aceite por muitos como um facto, não como teoria, observável através de dados palentológicos e outros.
O naturalista inglês defendeu outra ideia, que veio dar um sentido mais preciso à Evolução: a teoria da selecção natural. Assim, determinadas características seriam transmitidas, de geração em geração, dentro da mesma espécie, sempre que essa característica representasse uma vantagem adaptativa no meio natural no qual a espécie se integrava. Se uma dada característica— o tamanho do bico de uma ave, por exemplo— fosse favorável ao tipo de alimentação viável num certo meio, ou respondesse a alterações ambientais ocorridas, tal alteração transmitia-se, porque os indivíduos que a possuíam podiam sobreviver e reproduzir-se, ao contrário de outros da sua espécie, que desapareciam sem ou com menos descendência. A Evolução de todas as espécies desenvolvia-se em resposta ao meio e às necessidades de sobrevivência e condicionadas pelo meio. A selecção natural dos mais aptos moldava, segundo Darwin, a evolução de uma espécie— e de todas, fossem animais ou vegetais.
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As modernas conquistas da genética vieram confirmar, em grande parte, ( mas não toda e alargando as suas perspectivas), a pertinência das suas teses—e da sua grande intuição fundamental.
Mas, polémica e convicções à parte, --porque o grande debate continua-- Darwin permanecerá como um dos homens que mais contribuiu para o conhecimento da Natureza, e do nosso próprio lugar nela.
Bernardino Guimarães
(Recomenda-se vivamente uma visita à mostra comemorativa do bicentenário de Darwin, patente no Parque Biológico de Gaia, em Avintes.Para quem queira seguir, sem concessões ao simplismo e à retórica vazia, a discussão sobre Evolução e em particular no que se refere à polémica entre Criacionismo e Evolução, entre outras que analisam o lugar do Homem na biosfera na perspectiva científica e religiosa, o Peregrino recomenda ainda, por exemplo, o livro «Evolução a duas vozes» da Editorial Bertrand, com textos da bióloga Teresa Avelar e do padre e teólogo Joaquim Carreira das Neves.)
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