sábado, novembro 28, 2009

CIMEIRA DO CLIMA

Daqui a pouco mais de uma semana, a Conferência Mundial sobre Alterações Climáticas, em Copenhaga, vai concentrar todas as atenções. Momento crucial? As Nações Unidas apostaram nos dias dessa reunião para uma verdadeira mudança— olhos postos em 2012, altura em que expira o já desactualizado e pouco cumprido Protocolo de Quioto e momento para um novo acordo mundial sobre o mesmo tema, mas mais abrangente e ambicioso. Expectativas elevadas que se arriscam a serem frustradas— o mais que se vislumbra é um «acordo político», com ou sem metas e objectivos indicativos e deixando para 2010, ou mesmo 2011, as decisões difíceis.
Ou talvez não: se é certo que a opinião pública foi sendo sabiamente preparada para um fracasso que arrefecesse excessivas esperanças, o tom é agora de optimismo moderado. Obama fez saber que estaria presente na Cimeira, juntando-se a pelo menos 65 outros chefes de estado e de governo— e essa presença pode fazer toda a diferença. Veremos.
Todas estas peripécias na fase preparatória trazem consigo matéria para reflexão. E interrogação. Se o problema (a acelerada mudança climática) é global, e diz respeito a todas as nações, como pode continuar a ser bem aceite o «egoísmo nacional» que empurra para outros as responsabilidades, os sacrifícios e os custos?
Reflecte-se no clima— a julgar pelo consenso quase geral dos cientistas— o que fazemos no dia-a-dia. Consumo de energia em primeiro lugar. A nossa civilização poderia ser designada de «civilização da queima» --combustão é o que tem feito e faz mover o mundo. Arder petróleo, carvão, gás natural, tudo isso que vem do solo e é incendiado metodicamente, enfiado em caldeiras e fábricas, mais ou menos refinado e triturado e acaba como combustível nas centrais térmicas que nos fornecem a electricidade ou nos motores das viaturas que nos levam pendularmente de um lado para outro. Tudo se queima, tudo se transforma. Boa parte desse material é rejeitado…para a atmosfera, cuja composição se alterou nos últimos 150 anos, com cada vez maior porção de carbono. Carbono que é elemento fundamental nos ciclos da matéria e da vida, na própria formação física dos seres vivos e é coisa decisiva na Terra e nos outros planetas. Ironicamente, na sua forma gasosa, tornou-se no «inimigo público número um»!
Já todos sabemos que, se pouparmos energia, poupamos o planeta e o futuro— e poupamos dinheiro também. Se formos mais eficientes na utilização da energia, faremos o mesmo com menos, sem perda de resultados. Se usarmos formas de energia renováveis, asseguramos o nosso nível de vida sem acelerarmos as mutações climáticas e outros efeitos negativos. E se consumirmos com mais critério, moderação e inteligência, gastaremos menos energia e deixaremos menos resíduos no final do processo.
Com Copenhaga ou não, pensemos que a defesa do Ambiente também quer dizer solidariedade— com as gerações futuras, sim, e com os que hoje em dia são pobres…
Enquanto se tenta (e com que dificuldades!) abrandar o consumo voraz de energia nos países desenvolvidos, uma notícia de há dias deu-nos conta de que trinta por cento— cerca de um terço! — da Humanidade nem sequer tem acesso à electricidade.
Dá que pensar. O mundo da poluição e do desperdício é também o mundo da desigualdade e do desencontro.
Bernardino Guimarães
(Crónica na Antena 1, em 26/11/09)

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