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quarta-feira, março 17, 2010
BORBOLETAS EM RISCO NA EUROPA
Filomena Naves em Diário de Notícias /Ciência hoje.
Grande-branca-da-madeira encontra-se entre as várias espécies mais ameaçadas
Um terço das 482 espécies de borboletas da Europa sofreu um declínio visível na última década e 9% (43) estão agora gravemente ameaçadas de extinção, enquanto outros 10% (48) se encontram na fronteira desse perigo. Uma das que está à beira da extinção é uma borboleta branca da Madeira. Estes são dados da "Lista Vermelha das Borboletas Europeias", elaborada pela IUCN - International Union for Conservation of Nature, em colaboração com a União Europeia (UE), que foi divulgada ontem.
A grande-branca-da-madeira (Pieris wollastoni), borboleta única que só existe naquela ilha portuguesa, é uma das 43 espécies destes insectos que se encontram em situação crítica na Europa. Não é avistada há mais de 20 anos e há até quem já a tenha declarado extinta (ver caixa). Para inverter o problema que está a afectar estas espécies na Europa, a IUCN propõe no relatório que se invista, entre outra medidas, na protecção dos habitats, com a melhoria das políticas agrícolas, e na monitorização mais apertada das espécies ameaçadas.
A perda acelerada de habitats, com alterações drásticas nas práticas agrícolas, quer pela sua intensificação em algumas regiões quer pelo abandono noutras, é justamente um dos problemas- -chave para explicar o que está à acontecer às populações de muitas espécies de borboletas europeias. Mas as mudanças climáticas, sobretudo pelas secas mais intensas que acarretam, e a crescente pressão turística também estão entre os culpados do panorama pouco animador traçado no relatório da IUCN.
"A maioria das borboletas em risco são do Sul da Europa", adiantou Annabelle Cuttelod, a coordenadora da "Lista Vermelha Europeia" na IUCN, sublinhando que "a sua principal ameaça é a perda de habitat, a maior parte das vezes provocada por alterações nas práticas agrícolas, tanto pela intensificação como pelo abandono, ou devido às alterações climáticas, fogos florestais e a expansão do turismo".
De acordo com o levantamento feito pelos especialistas, é a prática intensiva da agricultura, que surge no topo das ameaças às espécies de borboletas europeias (afecta mais de 30 espécies), seguida de perto pelo abandono da terra (mais de 20 espécies afectadas) e pela mudança climática, sobretudo por causa das secas, com duas dezenas de espécies a sofrer impactos negativos em consequência deste problema.
Além do seu valor próprio, enquanto riqueza biológica, "as borboletas são importantes indicadores de biodiversidade e desempenham um papel importante nos ecossistemas, nomeadamente através das suas actividades polinizadoras", lê-se no relatório. Ou seja, o declínio acentuado das populações de um terço das borboletas europeias verificado durante o século XX, e que se prolongou até hoje, não é um bom sinal do ponto de vista da saúde dos ecossistemas onde esse declínio se manifesta.
Considerando apenas o território europeu da UE a 27 - o relatório faz essa especificação -, os especialistas contabilizam um total de 451 espécies de borboletas. Destas, 37 (8,5%) estão ameaçadas. Em Portugal existem 147 espécies de borboletas e, aparte a grande-branca-da-madeira, não existe mais nenhuma em risco crítico de extinção.
Multiplicar acções de protecção dos habitats é a palavra de ordem para o futuro imediato.
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
O CLIMA DOS OCEANOS ( GREENPEACE)
Desde a grande libertação de gás metano, há 55 milhões de anos atrás, que os oceanos não experienciavam um processo de acidificação tão rápido como actualmente. Esta conclusão faz parte de um estudo distribuído na cimeira climática de Copenhaga, pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), associada às Nações Unidas.O estudo “Acidificação dos Oceanos - os factos”, distribuído aos participantes das negociações sobre o clima, foi assinado por mais de 100 cientistas de mais de 27 instituições de pesquisa marinha europeias e expõe uma realidade alarmante: a acidificação dos mares cresceu em 30% desde o início da Revolução Industrial e, mantidos os índices actuais das emissões de CO2, a acidez dos oceanos pode aumentar em 120% até 2060, pondo em risco uma das maiores fontes de alimento do planeta.
Oceanos: vítimas do aquecimento global
A aceleração da acidificação dos oceanos é sustentada como uma consequência directa da absorção de níveis cada vez mais elevados de CO2. Para Dan Laffoley, editor-chefe do relatório e um dos directores do IUCN, o “processo de acidificação dos oceanos pode ser melhor descrito como o irmão gémeo maléfico do aquecimento global”.
Dado que a acidificação dos oceanos é um evento mensurável e de fácil identificação, o estudo pretende desarmar os cépticos do aquecimento global e reforçar a importância dos oceanos no processo de negociações sobre clima.
Os oceanos sempre foram responsáveis pela absorção de grande parte do CO2 existente na atmosfera. No entanto, o boom de emissões que tomou lugar nas últimas décadas e a absorção de quantidades excessivas deste elemento, estão não só a comprometer a capacidade dos oceanos de absorver CO2 no futuro, como também a contribuir para a decadência da biodiversidade marinha.
Salvar os oceanos!
Apesar das previsões catastróficas para a vida dos oceanos, consequentes do processo de acidificação acelerado actual, as práticas destrutivas de pesca e a sobrepesca continuam a ser reconhecidas como a maior ameaça à biodiversidade dos ecossistemas marinhos globais.
Portugal é uma nação de pesca por excelência e está numa posição privilegiada para assumir liderança na preservação e exploração sustentável dos oceanos do Planeta. A Greenpeace está em Portugal a fazer campanha para que as grandes superfícies, responsáveis por 70% do peixe que se vende em Portugal, assumam um papel relevante na protecção.
texto e foto de http://www.greenpeace.org/portugal
terça-feira, dezembro 15, 2009
DEZ ESPÉCIES TORNAM-SE SÍMBOLO DA AMEAÇA CLIMÁTICA
Helena Geraldes, 14 de Dezembro de 2009, no «Público»A raposa do Árctico, o coala e o peixe-palhaço estão entre as dez espécies escolhidas para representar os impactos das alterações climáticas na biodiversidade, revelou a UICN (União Mundial para a Conservação).
A lista das espécies que mais têm a perder com o aquecimento global, apresentada esta manhã durante a conferência de Copenhaga, inclui nomes bem conhecidos de todos, como o pinguim-imperador, o coala, a baleia-branca e o peixe-palhaço. O grupo fica completo com a raposa do Árctico, o salmão, a foca-anelada, a tartaruga de couro, a árvore africana Aloe dichotoma e a espécie de coral Acropora cervicornis.“Algumas das nossas espécies favoritas estão ameaçadas por causa das emissões de dióxido de carbono”, comentou Wendy Foden, co-autora do relatório “Species and Climate Change”.Entre as espécies com um futuro mais negro estão aquelas que vivem nas zonas polares. A foca-anelada vê-se obrigada a deslocar-se cada vez mais para Norte, à medida que o gelo no mar, do qual depende para cuidar das suas crias, vai recuando. O pinguim-imperador, adaptado às condições rigorosas da Antárctica, vive o mesmo problema. A tundra no Árctico, onde vive uma espécie de raposa de pelagem branca, está a regredir à medida que temperaturas mais elevadas transformam este habitat em floresta.
A lista das espécies que mais têm a perder com o aquecimento global, apresentada esta manhã durante a conferência de Copenhaga, inclui nomes bem conhecidos de todos, como o pinguim-imperador, o coala, a baleia-branca e o peixe-palhaço. O grupo fica completo com a raposa do Árctico, o salmão, a foca-anelada, a tartaruga de couro, a árvore africana Aloe dichotoma e a espécie de coral Acropora cervicornis.“Algumas das nossas espécies favoritas estão ameaçadas por causa das emissões de dióxido de carbono”, comentou Wendy Foden, co-autora do relatório “Species and Climate Change”.Entre as espécies com um futuro mais negro estão aquelas que vivem nas zonas polares. A foca-anelada vê-se obrigada a deslocar-se cada vez mais para Norte, à medida que o gelo no mar, do qual depende para cuidar das suas crias, vai recuando. O pinguim-imperador, adaptado às condições rigorosas da Antárctica, vive o mesmo problema. A tundra no Árctico, onde vive uma espécie de raposa de pelagem branca, está a regredir à medida que temperaturas mais elevadas transformam este habitat em floresta.
Mas as ameaças também se sentem no mar. A baleia-branca enfrenta maior pressão das actividades humanas porque o desaparecimento do gelo no mar abre zonas outrora inacessíveis. Os impactos climáticos não se limitam aos Pólos. Nos trópicos, os corais Acropora cervicornis estão ameaçados pela subida da temperatura das águas. Muitos não resistem ao fenómeno conhecido como branqueamento, quando oceanos mais ácidos, em resultado da absorção de cada vez mais dióxido de carbono, enfraquecem as estruturas dos recifes de coral.
Também o peixe-palhaço, mais conhecido pelo filme “À procura de Nemo”, é uma das vítimas de um clima em mudança. As águas mais ácidas diminuem as suas capacidades para encontrar as anémonas das quais dependem para se refugiarem de predadores.O salmão vive com níveis de oxigénio na água mais baixos e o coala australiano está ameaçado pela má nutrição, devido ao declínio da qualidade nutricional dos eucaliptos, dos quais se alimenta.
As tartarugas de couro estão a perder os habitats onde põem os ovos e a árvore Aloe dichotoma, do deserto da Namíbia ao Sul do continente africano, sofre com períodos de seca acentuada.“Várias das espécies deste relatório já constam da Lista Vermelha da UICN devido a outras ameaças, como a destruição dos habitats ou caça ilegal. Mas outras rapidamente entrarão nessa lista por causa das alterações climáticas”, salientou JeanVié, da UICN.
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terça-feira, novembro 03, 2009
O PLANETA TEM MAIS DE 12 700 ESPÉCIES EM VIAS DE EXTINÇÃO
03.11.2009, PÚBLICO
A ameaça de extinção a plantas e animais não pára de aumentar. Hoje, a UICN (União Internacional para a Conservação) revelou a actualização da Lista Vermelha. Das 47.677 espécies registadas, 17.291 estão ameaçadas de extinção.
Segundo esta lista, estão ameaçados 21 por cento de todas as espécies de mamíferos conhecidas para a ciência, 30 por cento dos anfíbios, 12 por cento das aves, 28 por cento dos répteis, 37 por cento dos peixes de água doce, 70 por cento das plantas e 35 por cento dos invertebrados.“É cada vez mais claro e evidente que está a formar-se uma séria crise de extinções”, comentou Jane Smart, directora do Grupo de Conservação da Biodiversidade da UICN, em comunicado. “Em Janeiro será lançado o Ano Internacional da Biodiversidade. Mas a análise mais recente da Lista Vermelha da UICN mostra que a meta para 2010 de reduzir a perda de biodiversidade não será alcançada”, lamentou. “Já é altura de os Governos começarem a falar a sério sobre a conservação das espécies e colocar a questão no topo das suas agendas para o próximo ano. Estamos a ficar sem tempo”.A Lista Vermelha revela que dos 5490 mamíferos do planeta, 79 estão extintos ou extintos na natureza, 188 estão Criticamente Ameaçados, 449 estão Ameaçados e 505 estão Vulneráveis.Agora, esta lista tem 1677 espécies de répteis, 293 das quais acrescentadas este ano. No total, 469 estão ameaçadas de extinção e 22 já estão extintas ou extintas na natureza.“Os répteis do planeta estão, sem dúvida, a sofrer, mas a situação pode ser muito pior do que parece”, comentou Simon Stuart, responsável pela Comissão da UICN para a Sobrevivência das Espécies. “Precisamos de uma avaliação de todos os répteis para compreender a gravidade da situação. Mas não temos os dois ou três milhões de dólares [1355 milhões ou 2032 milhões de euros] para a fazer”, salientou.Actualmente, 1895 das 6285 espécies de anfíbios estão em perigo de extinção, tornando-os no grupo mais ameaçado. Destes, 39 estão extintos ou extintos na natureza, 484 estão Criticamente Ameaçados, 754 estão Ameaçados e 657 estão Vulneráveis.Quanto às plantas, das 12.151 espécies na Lista Vermelha, 8500 estão ameaçadas de extinção, com 114 já extintas ou extintas na natureza. A Lista tem 7615 espécies de invertebrados, 2639 estão ameaçados de extinção, e 2306 moluscos, 1036 dos quais estão ameaçados. Além disso, 3120 espécies de peixe de água doce figuram agora na Lista, quando no ano passado eram 510.“Estes resultados são apenas a ponta do iceberg. Só conseguimos avaliar 47.663 espécies até agora: há muitos mais milhões lá fora que podem estar gravemente ameaçados”, comentou Craig Hilton-Taylor, gestor da Unidade da Lista Vermelha da UICN.
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