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sábado, fevereiro 13, 2010

DEFENDER AS ÁRVORES

É tão difícil, entre nós, defender as árvores dos seus inimigos, ao ponto de ser preciso heroísmo… e algum risco físico? As árvores não ficam sozinhas no chão, aquando de loteamentos e obras públicas e privadas que determinam o seu corte e morte prematura; não, porque também os que procuram defendê-las se sujeitam a maus-tratos e a provarem o pó da rua, agredidos pela intolerância dos arboricidas.
Grande nau, grande tormenta; e a notícia recente que nos deu conta de uma agressão a um cidadão que protestava contra o corte de árvores num loteamento no centro de Rio Tinto, não pode deixar de nos preocupar. O tal cidadão caiu no erro de contestar, no local, o abate de árvores antigas, num terreno que fica no desvio da rua da Ranha pela rua Amália Rodrigues, em direcção ao centro comercial Parque Nascente. Aí sucedeu o crime, que é duplo: segundo o cidadão contestatário e agredido, foram abatidos sobreiros, o que como todos sabem é ilegal, e exemplares de outras espécies incluindo um carvalho de grande porte e idade provecta. Os responsáveis da obra é que não estiveram com meias medidas, e vá de espancar o cidadão protestativo. Mártir da causa das árvores? Na verdade, custa a crer que tal coisa se conceba. Seria de esperar que já hoje fosse mais consensual a necessidade de proteger as árvores, como elementos essenciais da harmonia e beleza da paisagem, e sobretudo partes vitais do que devia ser a qualidade de vida urbana ou rural.
É a passividade que impede, tantas vezes, o protesto contra os desvarios de uma minoria voraz e boçal que devora peça a peça tudo aquilo que é bonito e útil e significativo em nome do seu e exclusivo interesse imediato.
De qualquer forma, é de saudar a coragem e a preocupação cívica de quem tenta opor-se a tais brutalidades, e com brutalidade igual é tratado.
A autarquia de Gondomar disse a um jornal que nada tinha a haver com o assunto, nem com a violência que atingiu uma pessoa nem com o corte das árvores, por ser privado o loteamento, como privada foi a agressão. Mas aqui a gente pára e pasma: então não é a Câmara, neste caso a de Gondomar, a entidade que licencia estes empreendimentos? Assim sendo, como não viu, em tempo útil e fase de projecto, que a lei de protecção dos sobreiros é—como o são as leis todas--para cumprir? E que permitir ali, daquela forma, arboricídio e desarborização, é agravar ainda mais o caos urbanístico e ambiental de uma zona fortemente degradada?
Em suma: uma agressão até agora impune e sobreiros no chão que são também crime sem castigo.
E dá para reflectir: como podemos progredir e avançar, com tais processos e mentalidades? De que serve encher a boca com ambiente, sustentabilidade e ordenamento?
As árvores, sacrificadas um pouco por todo o lado, deixam-nos. Ficamos mais pobres e mais sós. A continuarmos deste modo, a única sombra que teremos é a de uma pesada e gravosa mediocridade.
Bernardino Guimarães
(Crónica na Antena 1, em 11/2/010)

sábado, fevereiro 06, 2010

CORTE DE ÁRVORES GEROU CONFUSÃO EM RIO TINTO

CARLA SOARES, JN 5/2/010
A confusão instalou-se, ontem, no centro de Rio Tinto, em Gondomar, junto ao largo do antigo mercado, quando um cidadão tentou impedir o corte de uma árvore no terreno de um futuro loteamento, mesmo ao lado das obras para a nova linha de metro.
O conflito acabou com o autor do protesto a acusar, numa queixa à PSP, os responsáveis pela obra que ali se encontravam de o ter agredido. Estes, por sua vez, acusaram-no de ter atirado pedras.
Paulo Moura, arboricultor que, em tempos, havia contestado o abate de árvores na Avenida da Conduta, disse, ao JN, que, ao início da tarde de ontem, se dirigiu até aos trabalhadores que estavam naquele terreno privado, que fica no desvio da Rua da Ranha pela Rua Amália Rodrigues, em direcção ao centro comercial Parque Nascente.
O jovem admitiu que, uma vez que "o espaço não tinha vedação", entrou indignado no terreno para questionar se iam abater o antigo carvalho que restava no local, após derrubarem "parte dos ramos e sobreiros". A intervenção cívica "é uma profissão de alto risco", disse, enquanto mostrava os cotovelos e os joelhos em ferida e a roupa cheia de lama.
Paulo Moura admite que atirou "pedras para a máquina" que estava a proceder aos trabalhos, mas diz que apenas o fez quando se sentiu ameaçado. "Se não saísse dali, iam passar por cima de mim", alega. Conta que, depois, foi "agredido violentamente por três elementos", tendo chamado o INEM, que o tratou no local.
No terreno, onde esteve a PSP, fonte da empresa dava outra explicação, garantindo que tudo começou com Paulo Moura a atirar pedras para a máquina que estava a ser conduzida por um trabalhador naquela obra. E que terá danificado o veículo.
Manuel Correia, morador em Rio Tinto, contou, por sua vez, que seguia com o filho no seu carro quando viu Paulo Moura "deitado no chão, a ser agredido". Saiu para ajudar, mas conta que não conseguiu acalmar os ânimos.
Ontem, o arboricultor queixou--se à PSP. Hoje de manhã, disse ao JN, iria formalizar queixa no Ministério Público.
Contactados pelo JN, Câmara de Gondomar e Junta de Rio Tinto não reagiram ao sucedido, por se tratar de uma entidade privada.
Foto de : Raízes.e.Asas