quinta-feira, setembro 03, 2009

AUTO-ESTRADAS SEM CRITÉRIO

de « Correio da Manhã» 3 de Setembro
Portugal é um dos seis países da União Europeia com mais auto-estradas por habitante: em 27 Estados-membros, Portugal tem cerca de 24 km por cem mil habitantes, quase tanto quanto a Espanha e mais do que Alemanha, Suécia, Dinamarca, Itália, França e Inglaterra, as economias ricas da UE.
O pior é que em nove das 25 auto-estradas portuguesas circulam em média, por dia, menos de dez mil carros, um dos critérios internacionais para justificar uma auto-estrada. Mesmo assim, com os projectos rodoviários em curso e os quatro a serem lançados até Junho de 2010, a rede irá aumentar 860 quilómetros. E entre Lisboa e Porto surgirá uma terceira ligação deste tipo.
O relatório da Comissão Europeia sobre o sector da energia e transportes na UE, datado de 2009 e referente a 2006, revela que Portugal, em 27 Estados-membros, é o quinto com mais auto-estradas por cem mil habitantes (ver infografia). Com 2545 km de auto-estrada em 2006, Portugal tinha uma rede maior do que Bélgica (1763), Suécia (1740), Dinamarca (1032), Áustria (1678), Grécia (1056) e Irlanda (270).
Os dados do Instituto de Infra-estruturas Rodoviárias (INIR) sobre o tráfego nas auto-estradas no primeiro trimestre deste ano, de Julho passado, indicam que o movimento médio diário de viaturas é inferior a dez mil carros em nove auto-estradas: quatro no Sul (A6, A13, A15 e A10), três no Norte (A7, A24 e A27) e duas no Centro (A14 e A23). E no Norte há mais uma, a A11, que em dois dos três primeiros meses deste ano registou um tráfego médio diário inferior a dez mil carros.Apesar de estes dados indiciarem que Portugal estará saturado de auto-estradas, o Governo lançou dez novos empreendimentos rodoviários com uma extensão de 2360 km, dos quais metade é estrada nova e 29 por cento corresponde a auto-estrada.
Já esta semana, foi anunciada a intenção de avançar com mais quatro novas concessões até Junho de 2010. O Executivo justifica esta prioridade política com o “reforço da segurança rodoviária” e a “promoção da coesão territorial”. Os críticos desta opção contrapõem que Portugal já tem auto-estradas suficientes e que é necessário apostar em soluções com menores exigências de construção e de traçado.

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