Diário de Notícias, ontem:
Animais como o esturjão, o atum-vermelho ou vários tipos de tubarões estão em perigo de desaparecer, mas nem assim se deixa de os incluir em pratos que muitas vezes são considerados iguarias de luxo. Ambientalistas avisam que só não comprando podemos evitar o desastre.
Os pescadores puxam um grupo de tubarões-azuis para dentro do barco. Com a ajuda de facas, cortam a cada um deles as quatro barbatanas. Depois, os corpos são deitados de volta ao mar onde, incapazes de nadar, vão afundar-se e morrer. O destino das barbatanas será o mercado asiático, como Hong Kong, onde o sofrimento dos tubarões vale 520 euros o quilo.
A gula é implacável também com outras espécies, como o esturjão, as enguias e o atum-vermelho, que sofrem já problemas de redução de stocks e a ameaça da extinção.
Um exemplo português é o meixão. Estas crias da enguia-europeia só podem ser pescadas no rio Minho. Apesar disso, são capturadas ao longo de toda a costa portuguesa, sem a preocupação de que daqui a umas décadas as enguias-europeias - e consequentemente o meixão - possam deixar de existir. A razão: um quilo destas enguias bebés, também conhecidas por angulas, chega a custar mais de mil euros nos restaurantes espanhóis.
"Às pessoas nem lhes passa pela cabeça se estão a fazer bem ou mal quando compram alimentos provenientes de animais em perigo de extinção. Compram porque podem e têm dinheiro", reage ao DN Hélder Spínola, da associação ambientalista Quercus. O caso dos tubarões é sintomático: caçados apenas pelas barbatanas, que vão servir de alimento de luxo em ocasiões de festa nos países asiáticos, espécies como o tubarão-tigre ou o tubarão-azul têm a sua existência ameaçada pela sobrepesca.
O sushi também tem sido notícia nos últimos tempos por utilizar atum-vermelho na sua confecção. A demanda deste peixe - considerado o rei da comida japonesa - está a acabar com os stocks. Há pesca um pouco por todo o mundo e mesmo com os avisos de que as populações poderão extinguir-se, não há quem pare o seu comércio - nem mesmo as autoridades mundiais que estiveram reunidas no mês passado no Qatar na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção.
Também no mar, a caça à baleia teve de ser controlada para que não se extinguissem, uma vez que eram caçadas intensivamente: em 1930 caçavam-se 50 mil baleias por ano e por volta de 1950 as reservas estavam a diminuir drasticamente. Foi em 1986 que a baleação comercial foi proibida. Mas, em 1993, a Noruega considerou a lei não válida e voltou a caçar. O Japão faz o mesmo justificando-a com a investigação científica - as baleias caçadas para a ciência podem ser vendidas para não serem desperdiçadas.
O caviar também é um caso conhecido. A própria União Soviética e o Irão, a partir de 1950, tomaram medidas ecológicas para manterem as reservas de esturjão no mar Cáspio, preocupados com a direcção descendente que os stocks deste peixe tomavam.
"As pessoas têm de perceber que só elas podem acabar com isto. Não comprar é a primeira medida a tomar para que não se venda", diz o ambientalista da Quercus, pois sem compradores o mercado irá acabar por reduzir até se extinguir. "Se ninguém comprar, também ninguém vai caçar ou pescar", esclarece. Isto porque até "se podem fazer regulamentos determinando os tamanhos, mas enquanto o consumidor quiser irá haver sempre quem o capture e venda, mesmo que seja ilegal
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segunda-feira, abril 12, 2010
quinta-feira, abril 01, 2010
SÁVEL EM RISCO DE DESAPARECER
in Diário de Notícias, 28/3, Ciência
Vive no mar, a peneirar toneladas de água para engolir apenas o zooplâncton. Em Março, dirige-se para as embocaduras dos rios, em cardumes gigantescos, e sobe-os para a desova. Muitos acabam nas redes dos pescadores, mas é nesta viagem que o sável joga a sua sobrevivência.
É um maná em vias de desaparecer. Parente da popular sardinha e da espinhosa savelha, o sável é um gigante com as características de toda a família: gordo, saboroso e espinhoso. É também caro e raro na gastronomia, pois só é pescado nos finais do Inverno.
Vive no mar, a peneirar toneladas de água para engolir apenas o zooplâncton. Geralmente em Março, dirige-se para as embocaduras dos rios, em cardumes gigantescos, e sobe-os para a desova. Nessa viagem fluvial é capturado para se tornar o pitéu de muitos apreciadores.
As diversas práticas culinárias de preparação do sável provocam avalanches de sofredores de gula a acorrer aos festivais e centros tradicionais de preparação do bicho, um pouco por todo o País. A pesca do sável é, portanto, um importante recurso económico, mas ao mesmo tempo contribui para uma diminuição dos efectivos populacionais e coloca em risco a continuidade da espécie.
Para alguns apreciadores, quanto mais a montante for pescado, mais é apreciado. "O sável chega aos rios bastante gordo e todo o processo de subida é feito contracorrente, transpondo barreiras e desenvolvendo as gónadas. Daí que, muitos o prefiram comer quando capturado mais a montante, já em condições de atleta", explica Pedro Raposo de Almeida, professor da Universidade de Évora e investigador no Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências de Lisboa.
No nosso país, a subida dos rios está actualmente dificultada e muitas vezes até impossibilitada. A construção de barragens e de açudes, responsáveis pela interrupção das rotas migratórias, são a ameaça mais séria à espécie, classificada "em perigo" pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. "Quando chega aos rios, o sável traz reservas energéticas para a migração e para a reprodução. Ao entrar, deixa de se alimentar. Se gastar as reservas energéticas a ultrapassar barreiras, o processo de reprodução torna-se mais difícil", salienta Pedro Raposo de Almeida.
Se anteriormente à construção das barreiras, o sável e a sua congénere ocupavam nichos de reprodução diferentes, reproduzindo-se o sável mais a montante, actualmente dá-se muitas vezes uma sobreposição das áreas de desova das duas espécies. O aparecimento de híbridos, geralmente estéreis, leva também a uma quebra da população.
Como é frequente em muitas espécies, a grande maioria dos sáveis adultos morre depois de reproduzir. "Os juvenis têm de regressar ao mar, mas é complicado direccioná-los para as passagens construídas para o efeito nas barragens", alerta o investigador do Instituto de Oceanografia. Muitos juvenis não acedem às passagens e são sorvidos, acabando por morrer nas turbinas.
Pedro Raposo de Almeida alerta que "é necessário assegurar a continuidade longitudinal das áreas de reprodução da espécie, criando mecanismos eficazes de transposição de barreiras e assegurando um fácil regresso dos juvenis". O investigador refere que "algumas coisas têm de ser feitas a nível nacional, como a avaliação do estado das populações (através dos levantamentos das capturas) e o condicionamento da pesca em determinados locais e alturas do ano".
Apesar de existir pouca informação sobre os efectivos populacionais do sável, sabe-se que nos últimos anos a espécie tem sofrido uma acentuada redução. "Em Portugal, é das espécies que é possível que estejam mais ameaçadas em termos de conservação. É importante que não se esgote um recurso que é de todos", salienta Pedro Almeida.
Extremamente sensível, o sável entra facilmente em stress, acabando por morrer, o que torna a sua manipulação deveras complicada.
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sábado, fevereiro 13, 2010
PEIXES MIGRADORES AMEAÇADOS, DIZ A QUERCUS
A Quercus solicitou recentemente ao Ministro da Administração Interna que transmitisse instruções claras aos Comandos da Forças de Segurança, em particular ao da Guarda Nacional Republicana, no sentido de se intensificar a fiscalização da actividade piscatória nos principais rios do país, em particular na época de migração das espécies piscícolas que se iniciou em Janeiro e termina em Maio/Junho. Na opinião da Quercus, este esforço adicional solicitado agora ao Ministério da Administração Interna, para além de ser um contributo eficaz para reduzir a perda de biodiversidade neste Ano Internacional da Biodiversidade, criará as bases para implementar um modelo de fiscalização contínuo e sistemático que, no médio prazo, permitiria obter bons resultados na recuperação das populações de espécies piscícolas migradoras de elevado interesse económico, como a lampreia-marinha, a enguia, o salmão, a truta-marisca, o sável e a savelha.Fiscalização eficaz é fundamental
Para a Quercus, a pressão da pesca ilegal e o excesso de captura de peixes migradores, sem que a componente de fiscalização por parte das autoridades policiais, que actualmente é claramente insuficiente, esteja assegurada, são factores decisivos para o desaparecimento a prazo de algumas espécies. A intensificação da fiscalização, uma medida que apresenta custos reduzidos, permitiria diminuir o esforço de captura sobre os indivíduos reprodutores (permitindo que atinjam as áreas de postura) e aumentar o repovoamento de populações por novos indivíduos jovens. Por outro lado, se esta acção for complementada com o desenvolvimento de acções de sensibilização dos pescadores, tornando-os parte comprometida numa gestão racional dos recursos, terá um forte impacte na redução da actividade ilegal. É também neste contexto que a Quercus deu conhecimento da missiva à Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, pois considera que é desejável que as forças policiais interajam com os corpos de vigilantes sob sua tutela, nomeadamente os Vigilantes da Natureza, para ampliar significativamente o esforço de fiscalização e para garantir uma maior eficácia.
Barragens e açudes ameaçam espécies migradoras
Para alem da sobrepesca e da utilização de meios de captura ilegais, a construção de açudes e barragens, a extracção de inertes, a perda da qualidade da água, a regularização dos sistemas hídricos, a destruição da vegetação ripícola, são os factores que mais contribuem para o declínio das espécies. No que se refere aos represamentos, dados recentes apontam para que em Portugal existam actualmente 100 grandes barragens e 800 de média e pequena dimensão, encontrando-se previstas ou em construção mais 11 para aproveitamento hidroeléctrico. Estes represamentos, que ocupam já 90% dos troços dos principais rios, alteram o regime de caudais e a conectividade hídrica, causando a diminuição e mesmo a extinção das populações de espécies piscícolas migradoras de interesse económico assinalável.
Peixes migradores em situação preocupante
O esturjão, por exemplo, outrora presente nos rios Douro e Guadiana, extinguiu-se na década de 70 e de 80, respectivamente, sendo que degradação da qualidade do habitat inviabiliza qualquer acção de recuperação da espécie no nosso país. A lampreia-marinha encontra-se provavelmente em declínio nos seus efectivos e na área de habitat utilizável, sendo classificada como “Vulnerável” no Livro Vermelho dos Vertebrados. O salmão encontra-se “Criticamente em Perigo”, estando a população portuguesa confinada ao rio Minho, não apresentando mais do que duas centenas de reprodutores. A truta-marisca, que apresenta apenas forma migradora nos rios Minho e Lima, possui o estatuto de “Criticamente em Perigo” e, tal como o salmão, se não forem tomadas medidas de conservação efectivas, extinguir-se-á brevemente.
O sável, com estatuto de conservação de “Em Perigo”, encontra-se em forte regressão, possuindo já um baixo número de reprodutores e pouco habitat adequado à espécie. A savelha, embora com uma melhor condição que o sável, está em regressão em todas as bacias hidrográficas de ocorrência, possuindo o estatuto de “Vulnerável”.
A enguia apresenta efectivos populacionais abaixo dos limites biológicos de segurança e, no caso português, acresce ainda o facto de ser prática corrente a intensa captura de juvenis (meixão), situação que coloca a espécie na categoria de “Em Perigo” de extinção.
Apesar de ter sido enviado o Plano de Gestão da Enguia para a Comissão Europeia, este continua sem ser aplicado, o que revela a inércia da actuação das autoridades.
A Quercus tem ainda conhecimento da existência de uma investigação criminal sobre captura do meixão a nível nacional, sem que conheçam resultados visíveis na diminuição desta pesca ilegal que, ao utilizar redes de malha muito fina provoca uma elevada mortalidade em diversas espécies de peixes.
Lisboa, 10 de Fevereiro de 2010
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Para mais informações contactar:
Carla Graça (938 600 252) ou Paulo Lucas (933 060 123)
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
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